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Promoção comercial é a ponta do iceberg
28/07/2017

Abinews - Como foram idealizadas e como estão funcionando as novas parcerias entre a Apex e outras entidades e instituições ligadas ao Governo Federal, para melhor atendimento dos convênios setoriais?

Christiano - Essa forma de trabalho foi uma das diretrizes trazidas pelo embaixador Roberto Jaguaribe, assim que começou a presidir a Apex-Brasil, por uma razão muito clara: somos uma agência voltada para a promoção comercial e sabemos que as agruras da exportação começam na produção. Não adianta trabalhar apenas na promoção comercial, sem considerar outras dimensões importantes. Promoção comercial é a ponta de um processo. Atrás dela você precisa ter um produto adequado, uma empresa qualificada, questões bem resolvidas relacionadas à competividade, logística, tributos, barreiras, etc. Mesmo que a Apex não seja especialista nesse sistema, conseguimos ajudar a endereçá-lo aos órgãos competentes.

Desde o início, fomos orientados a mobilizar e trazer atores relevantes para as iniciativas que a agência tem em relação à promoção comercial. Um case claro disso tem a ver com o Programa de Acesso a Mercados (PAM-Agro), através do qual trouxemos um conjunto de instituições do setor privado e do Governo, para resolver o problema de acesso do agronegócio brasileiro. Outras ações são integradas sob o guarda-chuva do Plano Nacional da Cultura Exportadora (PNCE), junto com o Sebrae e outros atores locais, criando uma trilha de qualificação para que o empresário brasileiro comece a exportar e tenha acesso a mercados internacionais. Nós temos vários segmentos onde estamos estruturando fóruns com atores relevantes, como no caso da ABIROCHAS. A ideia é mapear, junto ao segmento atendido, quais são os gargalos existentes, relacionados a barreiras tarifárias, acordos comerciais, financiamento, capacitação, etc. A partir daí, começamos a articular o que esses atores podem aportar para resolver tais gargalos. Isso, obviamente, com o intuito de melhorar a presença das empresas no mercado internacional.

Abinews - Quais são as primeiras impressões da Apex com o andamento dessas parcerias?

Christiano – Está sendo um desafio. Usando as palavras do embaixador Jaguaribe, um dos grandes problemas do Brasil é a falta de coordenação entre os diversos órgãos, sejam eles públicos, ou de representação privada. Muitas vezes, instituições privadas que atuam na mesma cadeia produtiva, não conversam entre si para pensar ações que poderiam ser complementares. Em ações de promoção no exterior, por exemplo, setores que fazem parte da mesma cadeia, do mesmo segmento específico, poderiam atuar em conjunto. Portanto, essa falta de coordenação é um desafio.

Nossas primeiras impressões com as parcerias, processo em que estamos começando a trabalhar, são muito positivas, já que se opera a construção de uma governança ampla. No caso da ABIROCHAS, a partir do estudo de competitividade elaborado pela entidade, conseguimos mapear alguns gargalos e reunir o Sebrae, MDIC, ABDI, CAMEX, MCTIC e, obviamente, a própria ABIROCHAS, tratando de temas como comércio exterior, competitividade, tecnologia e meio ambiente. A partir daí começamos a endereçar as primeiras questões, e temos avançado muito bem na construção das referidas governanças, que são a chave para tentar aglutinar o máximo possível de atores relevantes.

Não faz sentido que se invista num projeto setorial, trabalhando infinitamente em ações de promoção. Por melhor que se desenhe uma estratégia de inserção internacional, se não trouxermos esses parceiros para perto, vai ser cada dia mais difícil ampliar o acesso desses negócios no exterior.

Abinews - O que se pode esperar do setor de rochas ornamentais?

Christiano - Nossa expectativa, que foi inclusive discutida com os parceiros, é de encontrar soluções que provoquem tanto o aumento da competitividade, quanto a conquista e consolidação de novos mercados. [U1] A partir de questões trazidas pela própria ABIROCHAS, constatamos que o setor de rochas passa por um processo de transição. Com os resultados significativos em mercados como a China e os Estados Unidos, é importante que o setor comece a atacar problemas relacionados à competitividade, sobretudo no que diz respeito à agregação de valor. Essa é a expectativa que temos ao reunir nesse fórum atores relevantes em todo o setor de rochas.

Abinews - Vocês organizaram a abordagem das demandas prioritárias para o nosso setor, compondo grupos de trabalho e destacando temas relevantes de discussão. Essa é a metodologia firmada como regra pela Apex-Brasil?

Christiano - Neste momento não temos uma metodologia estabelecida, porque isso vai muito no caso a caso. O caminho inicial é ter clareza sobre quais são os verdadeiros problemas do setor. Nesse sentido, o estudo de competitividade realizado pela ABIROCHAS foi fundamental. Existem setores que têm esse amadurecimento e produzem conteúdo dessa natureza, mas outros não. Então, para aqueles setores que não têm esse diagnóstico com a profundidade necessária, teremos que investigar. [U2] Esse é um primeiro aspecto: ter mapeadas quais são as necessidades e os problemas de cada setor.

Outro aspecto é mobilizar os atores relevantes, identificando quem pode auxiliar na superação de gargalos. Depois é mobilizar, convocar encontros e fazer as devidas discussões e acompanhamentos. Via de regra, esse será o desenho do nosso método de trabalho. Todavia, não podemos esquecer o papel institucional da Apex-Brasil, que é uma agência de caráter privado, e precisa ter uma neutralidade nessas abordagens. Hoje contamos com duas perspectivas muito importantes. Temos assento na CAMEX, órgão chave para inserção internacional brasileira, onde são definidos temas críticos no que se refere à questão da exportação. A outra perspectiva é a vinculação da Apex-Brasil ao Ministério das Relações Exteriores (MRE), o que amplia bastante a nossa capacidade de identificar oportunidades, acessar mercados e ter inteligência local instalada. Portanto, além dos atores relevantes que temos atraído, essas duas perspectivas contribuem para o nosso trabalho.

Abinews - A vinculação da Apex-Brasil ao MRE é de grande relevância para o setor. Você mencionou que é possível ampliar o sinal da Apex e dos seus objetivos através dessas representações internacionais que são possibilitadas pelo MRE. Poderia falar um pouco mais detalhadamente sobre isso?

Christiano - Uma das diretrizes colocadas nesse processo de vinculação, onde a Apex tem um contrato de gestão com o MRE, é a necessidade de nos integrarmos de maneira eficiente e fluida aos Setores Comerciais (SECOMs) das embaixadas. Esse processo de integração já está acontecendo e, nesses últimos meses, avançou bastante. Temos hoje quase 400 ações de promoção comercial a serem realizadas em conjunto com as embaixadas, de diferentes maneiras. Isso possibilita ampliar a nossa capilaridade internacional. A Apex conta hoje com nove escritórios no exterior. Além disso, temos mais de cem postos em diversos mercados, com inteligência instalada.

A questão é: como realizar esse processo de integração e essa troca? A resposta passa por várias frentes: tem a questão das importações, da atração de investimentos; tem a questão da inteligência comercial, de como captar essa inteligência para beneficiar o nosso empresário, etc. Como o SECOM pode abrir portas, identificar oportunidades para aquela estratégia que foi desenhada para um determinado projeto/setor? Que ações estratégicas em mercados específicos podem ser realizadas em conjunto? Todas essas questões têm sido pensadas nesse processo de integração entre a Apex e o Ministério das Relações Exteriores.

Abinews - Alguma outra observação sobre o relacionamento da Apex e a ABIROCHAS? Quais as perspectivas que vocês veem para esse ano e anos vindouros?

Christiano - Temos uma longa relação com a ABIROCHAS e o setor. Modéstia à parte, contribuímos para esse processo de exposição de um setor que é predominantemente de micro e pequenas empresas. Sabemos que essa característica cria um desafio maior ainda. Reconhecemos a ABIROCHAS como um parceiro importante nesse processo de permitir e criar as condições para que as empresas do setor de rochas acessem o mercado externo. E temos uma perspectiva positiva no âmbito do projeto, pelas ações que foram desenhadas nos dois últimos anos de convênio.

Mas, é importante que a ABIROCHAS nos ajude na construção dessa governança, envolvendo os atores relevantes. E por que eu falo isso? Porque é a ABIROCHAS que fala pelo setor aqui na Apex. Ela é que tem condição de mobilizar as empresas e os empresários em torno dos problemas que eles enfrentam no dia a dia. Nós temos condição de mobilizar os atores institucionais, os atores de governo. Esse casamento é que vai fazer avançar nossa parceria.

 

 

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  • Balança Comercial do Setor de Rochas

    • Período: 01 - 07 / 2017
    • Exportação: US$ 666.531.592,00
      Importação: US$ 18.584.096,00
      Saldo: US$ 647.947.496,00
    • Variação em relação ano anterior (%)
      Exportação: -3,03%
      Importação: +3,63%
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